11.10.06

Conversando com os Parceiros Invisíveis

Existe um livro chamado Parceiros Invisíveis de John A. Sanford, que é padre e analista junguiano. O livro é minha paixão, pois fala de relacionamentos. Se pensarmos um pouco notamos que nossas vidas são compostas de relacionamentos: pais e filhos, amizades, patrão e empregado, namorados, marido e mulher, irmãos, eu e você, enfim... são inúmeros relacionamentos. E você já parou para se perguntar o porquê de fulano ou cicrano te atrair? Você gostou mais da sua chefe do emprego tal, gosta mais do irmão mais velho, adora a personagem tal da novela, é louca por João que é designer... Já?

Então, este livro responde de forma bastante completa a estas perguntas. Nós nos apaixonamos constantemente por nós mesmos! Que loucura? Não. Vamos refletir: comece a prestar atenção nas pessoas que você admira, principalmente no caso dos relacionamentos amorosos. Na nossa psique existe a anima e o animus, a anima é a parte feminina que há em nós, e o animus a parte masculina. Num resumo bem grotesco, nós nos identificamos (geralmente) com a parte referente à nossa identidade sexual, e nos apaixonamos pela parte oposta. Se sou mulher, me identifico com a anima e me apaixono pelo meu animus que projeto em um homem. Exemplo exagerado para um melhor entendimento: Uma mulher com o estereótipo de executiva, entende tudo sobre empreendimento, administração, recursos financeiros, é prática, decide sua vida com base no raciocínio lógico, malha muito para manter o corpo esguio e saudável, e quando se sente atraída, nota que o homem por quem se apaixonou, é um artista, muito sensível e sentimental, faz yoga, decide sua vida com base na sua intuição e entende tudo de história das artes.

Equilíbrio é a nossa eterna busca. Temos em nossa alma o oposto do que mostramos no nosso dia-a-dia, mas está escondido, são aspectos sombrios, que são acessados no encontro com o outro, daí então, ou nos repugnamos ou nos apaixonamos. O melhor sería, que nós não discriminássemos o outro, e tentássemos aprender mais, e nos equilibrar. Não seria interessante se a executiva ouvisse mais a voz do seu coração, da sua intuição, desse mais ouvido a um mundo diferente do seu habitual? E o artista? Quem sabe uma boa noção de administração e empreendedorismo não fizessem bem à sua profissão?

Pensem nisso e vamos conversar. O que chama sua atenção no outro? Sejam características positivas ou negativas?

3.10.06

Onde está o limite dos pais?


Hoje fiquei em dúvida entre dois assuntos para conversarmos: o primeiro foi a bombástica notícia de uma mãe que contratou um detetive para saber o que seus filhos andam fazendo; e o segundo foi um assunto que surgiu numa conversa com uma mãe, que como todas as mães que amam seus filhos, se queixam de não saberem como lidar (cuidado com essa palavra!) com as perdas deles. A queixa dela era: Como faço para não entrar demais na vida íntima deles e ao mesmo tempo aconselhá-los? Tenho experiência e quero o melhor para eles! Foi tentando acalmá-la um pouco que notei que os assuntos estão interligados. Vamos conversar um pouco?
Bom, primeiro vamos pensar: o que leva uma mãe a colocar detetive atrás dos seus filhos? Quando contratamos o serviço de um detetive particular é por um simples e doloroso motivo: nós não confiamos na pessoa que será observada, e possivelmente temos uma forte desconfiança que algo que nós NÃO queríamos que acontecesse está acontecendo, e para termos prova disto, contratamos um detetive. Ok? Isso já é grave, pois notamos que este relacionamento está falido, não há confiança e, além disso, uma das partes quer impor a outra que faça o que ela quer, pois acredita ser o certo. Mas tem mais detalhes: se eu contrato um detetive para seguir alguém, presumi-se que eu não tenha tempo para fazer esta perseguição. Será que eu tive tempo antes com o meu filho para evitar que isto acontecesse? O que leva um filho a buscar as drogas? Ninguém busca as drogas porque simplesmente é legal, está na moda, ou qualquer outra desculpa que insistimos em acreditar. Ter curiosidade e usar uma vez, ok, se aceita, mas a persistência?!? Algo de errado está acontecendo na vida deste filho. Será que ela sabia? Provavelmente não, pois a relação entre eles não tem confiança mútua, e depois desta atitude (contratar um detetive) provavelmente não terá mais confiança nenhuma.

Agora vamos para o segundo caso. Como educar, como dar palpites, conselhos, sem entrar demais na vida íntima dos filhos? SENDO AMIGO ACIMA DE TUDO! Ser pai e mãe impõe já um status de domínio, autoridade, quase uma propriedade passada em cartório. Ser amigo não. Ser amigo impõe status de liberdade, troca de experiências, e NÃO IMPOSIÇÃO DE EXPERIÊNCIAS. Na amizade existe igualdade, e não um mais forte que o outro. Não é relação de polícia e ladrão! Calma, paciência, conversa, muita conversa, participar do mundo do outro, sair junto, conhecer a rede de relacionamentos dos filhos, ser amigo dos amigos dos filhos, dos pais dos amigos dos filhos, os deixarem fazer parte do seu mundo, dividir suas felicidades e tristezas com os filhos, suas decepções e conquistas, não querer ser o exemplo sempre, pois todos nós somos imperfeitos, e assim sim, você ira mostrar o que é a vida de verdade, e não iludi-lo, fazendo ele acreditar numa vida de mentiras; e o mais importante: saber que os filhos são seres humanos iguais a você, por isso podem cometer erros exatamente iguais aos seus. Por isso ACOLHAM! Isso gera confiança mútua e nenhuma necessidade de detetive, pois assim, ele sozinho irá te procurar para pedir ajuda, pois é em você que ele encontrará mais que um pai ou uma mãe, e sim o melhor amigo que ele poderia ter, e a pessoa que mais o ama na vida.